A TV na era digital

Atingir o potencial máximo da TV digital, segundo as perspectivas do estudioso Newton Cannito, envolve uma série de fatores culturais, sociais, estruturais e econômicos. Esses fatores – mais mutáveis, instáveis e complexos do que se imagina – estabelecem-se de maneira integrada e, sobretudo, diversificada, na medida em que correspondem a demandas de consumo diferentes. Logo, o caminho a ser percorrido pela TV digital implica muito mais do que a possibilidades tecnológicas existentes até então. São os hábitos culturais e sociais dos consumidores que definem inicialmente o destino da TV digital. Portanto, torna-se muito mais importante compreender a relação entre o conteúdo e os hábitos dos usuários do que dominar a parte técnica. São os usuários os protagonistas, quem altera o processo de produção e exibição. Por conseguinte, os produtos a serem lançados mudam e ao longo do tempo, o comportamento do público alvo pode ou não mudar.

Está claro que a mudança vem primeiramente dos processos estruturais  associados ainda ao alcance econômico e em total correspondência com os valores culturais e sociais específicos dos consumidores. Dessa forma, não se têm mais uma hierarquia dentro do processo comunicacional com etapas de produção com diferentes níveis de importância. Têm-se, no processo de desenvolvimento da TV digital, o invertimento da pirâmide, com interrelação e interdependência entre todas as suas camadas (que representem as etapas), que cada vez se tornam mais próximas:

capture-20180424-231318.png

A partir do momento que se torna efetivo esse entendimento durante o processo, novos formatos surgem na TV que, por sua vez, também precisa acompanhar a convergência digital, onde várias mídias se comunicam e atuam simultaneamente, com total mutualidade e em plataformas variadas.

O desafio maior da TV digital é assegurar aos usuários uma interatividade que mantenha a postura de agente e não uma passiva por parte desses mesmos indivíduos, já que o aparelho continua dentro das casas. Os recursos desenvolvidos – que tem garantido o potencial da TV digital – já mudaram muito a noção de interatividade, tanto por parte do mercado desenvolvedor quanto consumidores. A Smart TV por exemplo, tão cedo será substituída por mais que novas Smarts sejam lançadas.  Coexistente entre os desafios da TV digital, mais que continuar impulsionando conhecimento, conteúdos diversos, culturas e resgatando tantas outras – que precedem a própria televisão – , está o desafio de estar presente em todas as salas de todas as famílias, em todas as salas de aula de todas as escolas etc. A TV dá conta de acompanhar a contingência digital, de se adaptar às novas demandas, de adquirir novas estéticas, formatos e conexões, uma vez que o cerne é o usuário – com todas as suas necessidades e interesses –  e não o produto em si e que ambos são mutáveis.

No entanto, a construção do potencial da TV digital, o apontamento das novas tendências e a observação dos casos reais – que ainda se alia à análises conceituais – se preocupou devidamente com a existência de classes sociais sem condições de adquirir o produto? Para quem a TV digital é impulsionadora de cultura e conteúdo? Para que todo esse potencial? Qual a postura a ser tomada em relação a isso? Vale, agora e no mínimo, a reflexão.

Dupla Ana Beatriz e Carolina Liz

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s